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De Calcinha Vermelha

  • Enviado: 11 de abril de 2013 11:25

Corpo do conto

“Era ela. A deusa de suas fantasias mais eróticas. A mulher ardente que sempre se apresentava diante de si trajando nada mais do que uma regata branca e uma calcinha vermelha. Aquela que a provocava e nem mesmo sabia disso…

Todas as manhãs, a mesma visão. O mesmo tormento.

Todas as noites, a mesma fantasia. O mesmo prazer solitário.

Tudo por causa daquela mulher. Daquela ardente e irresistível mulher.

Era sua vizinha. Sua ardente e desconhecida vizinha.”

Parte 01 – A Deusa do Outro Lado do Corredor

Fernanda realmente se sentia incomodada. Oras, em seu lugar, quem não se sentiria? Não podia mais sair para o trabalho sem se deparar com… bem, com aquela cena em frente à porta de seu apartamento. Aquela era a única saída (a não ser que ela considerasse sair voando pela janela do sexto andar… o que não era nem de longe uma possibilidade), então não havia como fugir.
Respirando profundamente, ela abriu a porta de seu apartamento. Estava na hora.

Como sempre, Fernanda apoiou a bolsa à tiracolo enquanto trancava a porta; pra isso, ela não gastava mais do que dez segundos (às vezes, a fechadura gostava de emperrar, aumentando assim seu tormento). Mas era tempo o bastante.

Lá estava aquele som. A chave girando na fechadura, o ranger de leve que a maçaneta fazia ao girar em torno de si mesma… a porta que se abria às suas costas.

Era ela. Fernanda sabia. Sua vizinha abrira a porta para apanhar o jornal, que jazia na soleira de sua porta.

O coração de Fernanda galopava em seu peito, pois ele já sabia o que ela veria. Ele já sabia que Fernanda não resistiria a dar pelo menos uma olhadinha.

Mas nunca era uma olhadinha. Os olhos de Fernanda pareciam atraídos por uma força invisível todas as vezes nas quais ela se virava afim de afastar-se de sua porta, seguindo até o elevador no fim do corredor. Era inútil resistir à tamanha tentação.

E ela estava lá. Descalça, usando apenas uma regata branca e uma calcinha vermelha. Uma minúscula calcinha vermelha. Era evidente que sua vizinha fazia uso dos hábitos higiênicos comuns, então era mais do que óbvio que ela não usava a mesma roupa todos os dias pela manhã.

Ela só gostava de lingerie vermelha. E de usar regatas brancas de algodão sem ter a decência de usar um sutiã por baixo.
Absurdamente gostosa.

Assim como todos os dias, Fernanda encolheu seus ombros, engoliu em seco e resmungou um quase inaudível “bom dia” ao passar por sua adorável – e quase desconhecida – vizinha. A mulher, por sua vez, ergueu seus olhos escuros e mirou-a por um momento, a sombra de um sorriso em seus lábios.

Não respondeu ao seu cumprimento. Ela nunca respondia. O encontro de ambas limitava-se aqueles segundos, todos os dias pela manhã; Fernanda saía, fechava a sua porta, ouvindo a vizinha abrir a sua. Então, quando se virava, a mulher já se levantava com o jornal em mãos, movendo-se pra voltar ao interior de seu apartamento.

Era tudo o que Fernanda podia ter daquela adorável quase estranha. Dela, Fernanda nada sabia além de que se mudara praquele endereço há dois meses. E que ela tinha um corpo espetacular, claro. E cabelos longos, quase dourados, ondulados. Olhos escuros.

Uma tentação.

Fernanda era lésbica não assumida há treze anos. Desde seus oito anos de idade, quando ela roubara um beijo de uma de suas primas, Fernanda sabia que seu coração sempre aceleraria diante de uma mulher bonita. Em contrapartida, ele nem mesmo se dignaria a fingir sentir algo pelos mais belos espécimes do sexo masculino.

Ela sentia tesão por mulheres. Apaixonava-se por mulheres. Isso nunca lhe fora segredo.

Mas, ainda assim, nunca tivera coragem de falar em público sobre sua orientação sexual. Mantinha-se distante da família afim de evitar perguntas indiscretas. Também não tinha amigos próximos. Repelia qualquer aproximação masculina, especialmente as com segundas, terceiras e quartas intenções.

As femininas eram afastadas ainda mais depressa. Tinha medo do que seria capaz de fazer caso se aproximasse demais; se envolvesse demais.

Sim, era uma pessoa solitária. Apesar de ser aquilo que os homens denominavam como “deliciosa”, Fernanda se mantinha distante de tudo e todos; ela era diferente e tinha medo de tal diferença. Não queria que as pessoas a amassem (podia viver sem isso), mas não conseguiria conviver com o ódio infundado de estranhos contra si durante todos os dias de sua vida.

Então o melhor meio de sobreviver era se escondendo.

Isso até que aquela gostosa loira decidira mudar-se para o apartamento em frente ao seu.

Nas madrugadas solitárias, Fernanda fantasiava com ela. Não era como se ela pudesse resistir à essa vontade. Porra, todos os dias, pela manhã, ela se deparava com aquela tentação semidespida! Como não fantasiar com aquela deusa?

Continua na segunda parte!

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Sobre este autor

  • Escritos por: Luna Vasquez
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